Papel de parede na televisão e no projetor
O mesmo ficheiro, espalhado por dois metros de parede, deixa de ser a mesma imagem.
Um monitor fica a meio metro e tem sessenta centímetros de largura. Um projetor espalha a mesma quantidade de píxeis por dois metros de parede, e uma televisão é vista a três metros. O ficheiro não muda, mas muda a distância entre dois píxeis vizinhos, e um céu que parecia liso na secretária mostra a compressão em degraus largos e moles assim que é ampliado.
Aqui a luz pesa mais do que a resolução. Um projetor só sabe acrescentar luz à parede, nunca retirá-la, por isso o preto chega como o cinzento que a sala permitir, e um fundo escuro e sóbrio, elegante no portátil, vira um retângulo empoeirado. Uma sala clara faz algo parecido com a televisão, onde os reflexos assentam por cima das sombras. Imagens que entregam o contraste à cor, e não à escuridão, aguentam as duas salas.
As margens também merecem um pensamento. Algumas televisões continuam a cortar uma pequena percentagem do enquadramento, e os modos de repouso voltam a comprimir o que lhes damos, de maneira que um motivo encostado à borda regressa aparado. O que funciona numa parede costuma ser mais calado do que o que funciona numa secretária: menos detalhe fino e nada que exija ser lido do outro lado da sala.